A COMUNICAÇÃO, A VENDA, A ENTREGA E O PÓS-VENDA
» Texto por Erivan Santos (*)
Caro leitor,
O título dessa coluna tem muito haver com as grandes companhias de telecomunicações que se instalaram no Brasil quando o setor foi privatizado. Essas empresas, gigantes nacionais e multinacionais, investiram grandes somas em tecnologia e infra-estrutura, em construção e comunicação de marca, mas negligenciaram fortemente no contato e no respeito ao consumidor.
Não adianta nada ter marcas maravilhosas, com design moderno, cores vivas, alegres, grandes campanhas publicitárias, equipamentos de ponta que permitem acesso rápido à internet, uma gama infinita de funções e comodidades, se na hora de falar com o consumidor o contato é feito por empresas terceirizadas que só estão comprometidas com números de desempenho. Os Call Centers são a pior ferramenta de marketing que o mundo moderno criou. Permitem atender um número muito maior de pessoas sem ocupar a empresa principal; no entanto, a única real competência dos terceiros é destruir a imagem de marca das empresas que os contratam.
A comunicação, a tecnologia e o fabuloso design dos aparelhos criam uma expectativa enorme no consumidor e, depois que gasta o seu dinheiro depositando toda a sua confiança na marca, ele é jogado aos maus-tratos dos Call Centers, ficando horas na espera, sendo jogado de um operador para o outro (um mesmo operador não pode ficar muito tempo com um mesmo cliente), perdendo seu tempo, sua paciência e sendo vencido pelo cansaço e no final sem resolver seu problema.
E, o pior: a falta de compromisso não fica somente no consumidor individual; chega também aos consumidores empresariais para os quais a venda é feita por empresas terceirizadas. Estas, normalmente, não recebem um treinamento adequado. Seus vendedores são visivelmente amadores, não dispõem de suporte para pós-venda ou assistência técnica e não têm autonomia para fazer nada que não se restrinja ao ato de vender.
Aí, você lê nos jornais que o setor está em crise, não consegue alcançar suas metas de venda e/ou retenção de clientes e não consegue cobrir os vultuosos investimentos feitos. A mim a causa parece muito óbvia: as empresas de telecomunicação cuidaram de tudo, menos do mais importante: o consumidor.
Então, temos que relembrar alguns conceitos primários sobre marcas, comércio, fidelização e construção de valor de marca:
1. A comunicação gera expectativa;
2. A venda não começa e não termina na assinatura do contrato;
3. Não se deve atrair o cliente para a marca de sua empresa e entregá-lo a um terceiro que não tem o menor compromisso com ele;
4. A coerência de promessas entre pré-venda, venda e pós-venda é imprescindível para criação de valor de marca e fidelização.
Não deixe que a tecnologia seja sua única ferramenta de vendas. Ela pode ser atrativa, facilitar a vida dos consumidores mas, sozinha, não pode fidelizar seus clientes. Por traz de uma marca, não existe só tecnologia e infra-estrutura; existem pessoas e são elas que dão vida e humanizam uma marca e, principalmente por isso, estabelecem empatia com os clientes e com o mercado.
Um abraço e até a próxima coluna.
(*) Erivan Santos (www.youcomunicacao.com) - Designer gráfico de formação, ajudou a desenvolver o departamento de embalagens do laboratório Novartis Biociências. Já atuou na área de criação de algumas das melhores agências de publicidade de São Paulo/SP. Fundou a Madhouse PackWorks em 2001 e atua também como Consultor de Marcas em sua própria consultoria, a You - Psicologia de Marcas.