18 de Novembro de 2008

A imagem institucional suportando a imagem do produto. Ou o produto denegrindo a imagem institucional.

Publicado por You - Psicologia de Marcas em Clipping, Institucional, Marketing | Enviar por e-mail.

“Falem bem ou falem mau, mas falem de mim”. Este ditado popular, nos dias de hoje, só se aplica mesmo às celebridades, que não se importam muito sobre o que sai na imprensa, contanto que sejam notícia. No caso das empresas e seus produtos este pensamento é extremamente maléfico.
Na semana passada, em 5 de novembro de 2008, a maior revista semanal de circulação nacional do Brasil publicou uma matéria que jogou a imagem dos laboratórios farmacêuticos no fundo do poço. A matéria de capa falava sobre a recente onde de retirada do mercado de medicamentos que apresentaram efeitos colaterais indesejáveis e com certa gravidade. Vejam, algumas frases, utilizadas nesta reportagem”
“…até onde se pode confiar nos medicamentos que continuam em circulação?”;
“Os problemas têm origem na criação e no aperfeiçoamento de uma nova molécula, estende-se ao marketing agressivo e nem sempre honesto dos laboratórios farmacêuticos…”;

Isto só para destacar alguns dos piores trechos do início da matéria. Sim, mas o que isso tem haver com imagem de marca? Tudo! Os laboratórios farmacêuticos poderiam evitar ou diminuir o efeito devastador deste tipo de notícia se divulgassem mais sua imagem institucional - o que não é proibido por lei. Divulgando sua credibilidade, história, confiabilidade dos processos de fabricação, controle e qualificacão de fornecedores, dando uma idéia do quanto investem em pesquisa e desenvolvimento e o quanto isso tudo tem ajudado a humanidade. Poucos laboratórios compreendem a força que a imagem do fabricante pode exercer na confiança do consumidor em seus produtos.

Quando nenhuma campanha institucional é veiculada ou quando isso é feito com pouca freqüência, nenhuma imagem de marca é fixada na mente do consumidor; aí quando uma eventualidade desfavorável aparece nos jornais a falta de uma imagem na mente do consumidor dá espaço à formação de uma péssima reputação.

Nada é pior para uma empresa do que a falta ou a perda de credibilidade. O investimento necessário para a recuperação dessa perda é muito maior do que o que se economizou sem a divulgação de campanhas institucionais sérias.

Não é minha intenção e nem vem ao caso, discutir o mérito da reportagem, minha intenção é alertar que o ditado “no news, good news”, só é válido até que surja uma grande e inesperada “bad new”.

Há várias maneiras criativas e éticas de se promover empresas e produtos, mesmo em mercados fortemente regulados, uma delas é a embalagem a outra é criação, o gerenciamento e a divulgação constante de uma personalidade de marca forte, que saiba aproveitar os pontos fortes e importantes para o consumidor, sem precisar ser desonesto ou agressivo. Isto funciona como uma medida preventiva contra os desgastes, muitas vezes inevitáveis.

Conheço o mercado farmacêutico no Brasil, já atuo nela há quase 10 anos, e sei que medicamentos ineficazes ou nocivos são a ínfima minoria e sei que a maioria dos laboratórios age de forma séria, com profissionais muito competentes, mas a ação de algumas drogas em diferentes organismos é muitas vezes imprevisível. O que tem que se pôr na balança é o custo benefício. Nenhum laboratório vai investir bilhões no desenvolvimento de um produto para causar prejuízos à sociedade e ao seu caixa.

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