A Marca Brasil
Recentemente participei de uma discussão que provocava os participantes sobre como melhorar a imagem do Brasil no mercado internacional, uma vez que ainda somos conhecidos por ser o país do futebol, das favelas e das mulheres “fáceis”. Abaixo meus comentários:
Esse tema é realmente um dos mais importantes atualmente. A solução não é simples e também não é de rápida implementação. Acho que poderíamos começar por corrigir um pouco de nossa cultura. A indústria da música, por exemplo, poderia investir mais em estilos musicais que tragam uma mensagem menos erótica. Nas últimas décadas, depois da descoberta do Axé Music, tudo que se houve no rádio e que se vê nos programas de auditório é bunda. E muita gente na indústria justifica que é isso que vende, não é verdade! O que vende é o que está à disposição, que tem maior divulgação e fácil acesso. As pessoas costumam consumir tudo que está na moda, mas quem faz a moda é a indústria.
Em termos de cultura, quem faz a moda são as empresas do entretenimento, rádio, internet, cinema, teatro e TV. Se estes canais começarem a colocar à disposição da população um conteúdo de melhor nível, com melhores mensagens e com linguagem adequada, garanto que nossa cultura começa a mudar. Se o funk não tiver tanta exposição nos meios de comunicação ele vai ficar restrito às favelas cariocas, só pra citar um aspecto.
O cinema é um divulgador de cultura e um agente de transformação extremamente poderoso, se nossos filmes não mostrassem tanta miséria, sexo e palavrões, o mundo não pensaria que o Brasil é uma imensa favela, cheia de prostitutas. O cinema deve mostrar a realidade, mas será que a realidade do Brasil é só o que acontece nas favelas? Com certeza não.
Quanto às empresas, o que os empresários e o governo brasileiros têm de entender é que o Brasil não pode ser só uma economia de commodities, a China já entendeu isso. O Brasil poderia explorar muito mais suas outras vocações e riquezas como, por exemplo, o Ecoturismo, mas um Ecoturismo bem organizado, inclusive com preços de passagem mais decentes para o mercado interno. O Rio é um dos principais destinos internacionais, mas o turista corre, o tempo todo, o risco de ser assaltado, tem farta oferta de drogas e prostituição, mas não conta com locais e serviços públicos de qualidade. No Nordeste é a mesma coisa. Tem de saber receber o turista, tem de ter melhor infraestrutura, os atendentes tem de saber falar bom inglês, no mínimo.
Os empresários tem de aprender a não focar somente em produtos baratos e sem valor agregado para fazer dinheiro com volume, tem de investir em marca bem feita, bem planejada, em divulgação competente, em embalagens de alto nível, em pesquisa e desenvolvimento, valorizar a criatividade e a inovação e, por favor, contratar profissionais habilitados para isso, valorizando seus conhecimentos com boa remuneração.
Para que o Brasil tenha uma marca de valor, essa marca tem de ser desejada e admirada pelo mundo todo, mas para isso tem de refletir as características mais valorizadas no mundo, devemos nos espelhar nas maiores e melhores economias do mundo e adicionar nossos diferenciais.
De outra forma, continuaremos fornecendo os melhores grãos de café do mundo e pagando muito caro para tomar nosso café no Starbucks e na compra de marcas italianas, como o illy Café.